Nelson
M. Mendes
O povo
tem a tendência, em grande parte induzido pela propaganda, a votar nos seus
algozes. Vide Bolsonaro no Brasil, Millei na Argentina e Trump nos EUA. A
jornalista brasileira Márcia Carmo, correspondente em Buenos Aires, contou que
uma garota argentina, bem jovem, lhe disse que, como as coisas estavam ruins no
país, ela iria votar num “loquito”, na esperança de que ele pudesse melhorar a
situação. O “loquito” era Javier Millei, que está simplesmente destruindo e
entregando o país. (Um professor de Economia explicou que a reforma trabalhista
argentina, aprovada na primeira quinzena de fevereiro de 2026, é muito mais
nefasta do que a já hedionda reforma feita pelo usurpador ex-presidente
brasileiro Michel Temer.) Depois de tomar várias medidas contracionistas,
tipicamente neoliberais (no estilo vender o carro para pagar a gasolina), Millei
conseguiu relativo (muito relativo) controle da inflação. Claro: se o
povo está sem emprego e cada vez mais miserável, não há consumo e os preços se
mantêm relativamente estáveis. Mas mesmo essa estabilidade mórbida e precária
já se está rompendo: a inflação está em 2,9% ao mês! Enquanto isso, o
“nordestino analfabeto e cachaceiro”, auxiliado sobretudo pelo ministro Haddad,
conseguiu que a inflação brasileira ficasse em 4,26% no ano de 2025. E
isso com crescimento econômico, investimentos sociais, e taxa de desemprego de
5,6%, “a menor registrada na série histórica do IBGE (iniciada em 2012)”, como
explica o Google. E vale lembrar: apesar dos juros imorais cobrados pelo Banco
Central independente (dependente do mercado financeiro), que engessam a
economia; e apesar de um Congresso hostil, recheado de imbecis e/ou picaretas,
como André Fernandes, Arthur Lira, Bia Kicis, Carlos Jordy, Caroline De Toni, Ciro
Nogueira, Damares Alves, Davi Alcolumbre, Delegado Caveira, Paulo Bilynskyj, Eduardo
Girão, Flávio Bolsonaro, General Girão, General Pazuello, Gilvan da Federal,
Gustavo Gayer, Hugo Motta, Jorge Seif, Julia Zanatta, Kim Kataguiri, Magno
Malta, Marcelo Crivella, Marcel van Hattem, Marcos do Val, Marcos Rogério,
Maurício do Vôlei, Marco Feliciano, Nikolas Ferreira, Rosangela Moro, Sérgio
Moro, Sóstenes Cavalcante, Tiririca, Zé Trovão, Delegado Zucco e muitos outros,
frequentemente com nomes antecedidos de patentes ou títulos: Pastor Fulano,
Capitão Sicrano, etc. (Se o leitor tiver paciência e estômago, sugiro que
procure saber da contribuição que esses parlamentares deram ao país;
descobrirão que não fizeram nada além de trabalhar contra o povo
e gravar vídeos lacradores para serem postados nas redes sociais.)
As
eleições de 2026 vêm aí. E já começou a temporada de fake news (mentiras).
Políticos desclassificados, como os acima citados, já começaram a atacar o
governo federal com as mais absurdas acusações. (Não podemos esquecer que
mentiras levaram Getúlio ao suicídio, prepararam o terreno para o golpe de
1964, resultaram no impeachment fraudulento da presidente Dilma e na
igualmente fraudulenta prisão de Lula.)
O grande
assunto do momento é o escândalo do banco Master, que começou no governo
Bolsonaro e contou com a complacência (cumplicidade?) do então presidente do
Banco Central, Roberto Campos Neto – neto daquele que Ziraldo
considerava “o pior brasileiro do século XX”. Como aconteceu com o escândalo do
INSS, o do banco Master também começou no governo Bolsonaro e também só no
governo Lula passou a ser investigado. (No governo do Jair Boçal não havia
corrupção; porque ele trocava até Ministro da Justiça para proteger bandidos
amigos, e sobretudo da família. O que ele fez para impedir que os crimes de Flávio
fossem investigados é bem conhecido – até porque o próprio Boçal declarou que
não deixaria ninguém “foder” sua família.)
Como
sempre, o objetivo do mercado financeiro, da grande mídia e dos políticos do “centrão”
ou da extrema direita (mídia e tais políticos são instrumentos do poder
financeiro) é de alguma forma envolver Lula com a história do banco Master. O
alvo é sempre Lula; porque ele representa tudo o que as elites, eternamente
escravocratas, não querem: crescimento com distribuição de renda e benefícios
sociais. Essas elites pensam exatamente como o personagem Justo Veríssimo, do
Chico Anísio: “Pobre tem que morrer.”
Entretanto,
essa mídia mentirosa e esses políticos raivosos e desonestos (dos quais Nikolas
Ferreira talvez seja o maior representante) estão com azar; porque nenhum nome
do PT, do PSOL ou de qualquer partido progressista (progressista é quem deseja
menos desigualdade e miséria) aparece nas investigações. Mas aparecem os nomes
do senador Ciro Nogueira (PP), ex-ministro da Casa Civil no
governo Jair Bolsonaro, de Ibaneis Rocha (MDB), governador do
Distrito Federal, de Cláudio Castro (PL), governador do
Rio de Janeiro, de Davi Alcolumbre (União Brasil), presidente do Senado,
e de uma penca de prefeitos. Jair Boçal Fascista (PL) e Tarcísio
de Freitas (Republicanos) aparecem no bolo porque Fabiano Zettel, cunhado
do banqueiro gângster Daniel Vorcaro e ele próprio envolvido até o pescoço na
fraude, foi o maior financiador das campanhas de ambos. (Bandido só financia
político bandido.)
Por outro
lado, essa corja representante do poder financeiro não recua nem diante da
verdade meridiana e inquestionável. Se alguém diz que 2+2=4, esses fantoches do
dinheiro dirão, como numa charge fotográfica do saudoso Pasquim que
aludia ao então ministro Simonsen: “No entanto...”
Essa
experiência eu tive pessoalmente. Muitas vezes, no finado Orkut ou no Facebook,
eu expunha minhas opiniões criteriosamente, emendando argumentos com dados,
nomes, contextualização histórica e até referências bibliográficas. No final, o
interlocutor escrevia uma frase de meia-dúzia de palavras sem sustentação,
desconexas, e achava que tinha destruído todo o meu arrazoado. Como discutir
com quem acredita que a Terra é plana, que Cloroquina cura Covid-19 ou que a
família Bolsonaro é honesta e quer o bem do país?...
Por isso,
a mídia desonesta, os políticos desonestos e os eleitores desonestos ou ingênuos
insistem em criar um tumulto informacional que possa dar a impressão de
que, no fim das contas, Lula é o “poderoso chefão” de todo um esquema de
corrupção – como o bandido Dallagnol tentou demonstrar com aquele ridículo PowerPoint
na época da Lava a Jato. (Quando se revolve indiscriminadamente o lodo no fundo
de um lago, fica impossível enxergar com clareza. Assim como Chacrinha, que
disse ter vindo ao mundo não para explicar, mas para confundir, a grande
imprensa, hoje rapidamente replicada pelas redes sociais, não quer a verdade,
mas a confusão que lhe permita proclamar a verdade que seja conveniente a seus
donos – sabendo-se que hoje praticamente toda a mídia pertence a grupos
financeiros.)
O
objetivo da grande mídia e desses políticos picaretas (muitos em pânico com a
possibilidade de que a verdade sobre o caso Master venha à tona), agora, é
desacreditar o STF – o que pastor/gângster Silas Malafaia sempre tentou, para
procurar salvar da cadeia o golpista Jair Boçal Fascista. O método é
revolver o fundo do lago, deixar turvas as águas, “criar um clima”, como disse
o veterano jornalista Lalo Leal em entrevista ao Bom Dia 247, de modo que fique
pairando, sobre determinados personagens, uma vaga aura de culpa, de
responsabilidade. (Não custa lembrar: nunca se provou nada contra
os que eram vítimas de acusações de corrupção, pelo menos desde os tempos de
Getúlio Vargas. A exceção foi Collor – hoje finalmente preso, ainda que em
prisão domiciliar.)
Muitas
pessoas, acertadamente, deixaram de confiar na grande mídia; que, no Brasil e
no mundo, se limita a dizer o que o poder econômico manda. Mas saíram da
frigideira e caíram no fogo: acreditam em tudo que chega pelas redes sociais.
Ora, quem confiaria num
médico que tivesse sido formado pelo Facebook, Instagram, WhatsApp ou Tik Tok?
As informações picotadas que chegam pelas redes sociais são, em sua imensa
maioria, superficiais e distorcidas; não têm lastro, não têm fundamento. E o
Jornal da USP publicou que, segundo relatório da OCDE, os “brasileiros são os
piores em identificar notícias falsas”. Todos os grandes jornais, todas as
grandes redes de rádio e TV continuam mentindo e desinformando; mas agora essa
grande mídia tem ajuda valiosa das redes sociais, onde as mentiras se propagam
como fogo morro acima em mato seco.
O cidadão tem de se
vacinar contra a desinformação, contra as mentiras – hoje chamadas de fake
news. E só existe uma vacina contra a desinformação: a informação. E
informação não se obtém no Tik Tok, assim como nele o estudante de Medicina não
encontra o saber necessário a que se torne um médico.
Se o cidadão não tiver
informação sólida, técnica, fidedigna, encontrada em textos fundamentados de
autores competentes e confiáveis, ele será levado a votar não em quem
representa seus legítimos interesses, mas naquele que defende os interesses dos
banqueiros, dos bilionários e dos grandes criminosos de maneira geral.
O
cidadão, o eleitor, não se pode deixar manipular como um fantoche bobalhão.

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