Nelson
M. Mendes
Nós não
estamos sitiados por “comunistas” ávidos por tomar o poder e comer nossas
criancinhas. Pelo contrário, uma das coisas que os famigerados “Arquivos
Epstein” tem demonstrado é que a elite capitalista é que gosta de comer
criancinhas – em todas as acepções do verbo “comer”. Mas há décadas a indústria
cultural tenta nos fazer crer que estamos ameaçados por “comunistas”.
Recentemente, um bolsonazista imbecil, entrevistado numa dessas cada vez mais
esvaziadas manifestações de extrema direita, afirmava, convicto, que “eles”
(uma difusa entidade que aparentemente reuniria Governo Federal e STF) querem
tomar as propriedades das pessoas, para dividir com os pobres. Ora, o PT já
conquistou a presidência cinco vezes, e não consta que qualquer pessoa tenha
perdido um único bem; pelo contrário, uma das características dos governos
petistas é a prosperidade generalizada, inclusive dos que já tinham boa
situação. Entretanto, aqueles que não
tiveram formação sólida – não leram bons livros, não fizeram um bom curso
universitário, não conversaram com mentes esclarecidas – se deixam envolver por
esse discurso.
As instituições, de modo geral, trabalham em favor do poder econômico. Sempre foi assim. A imprensa brasileira, desde tempos imperiais, defende a classe dominante. O jornal O Estado de São Paulo, por exemplo, se colocou a princípio contra a Abolição da Escravatura; só quando a causa se tornou uma corrente imparável é que ele aderiu. Do mesmo modo, a Rede Globo só passaria a noticiar as manifestações pelas “Diretas já”, nos anos 80 do século XX, quando ficou impossível fingir que nada estava acontecendo. O jornal O Globo se opôs ferozmente à criação do 13º salário por Jango: disse que seria “desastroso” para o país; e saudou entusiasticamente o golpe de 1964, um violento retrocesso em favor da elite econômica e do imperialismo estadunidense.
A
História mundial está repleta de mártires que tombaram exatamente porque
desejavam construir um mundo com menos injustiça, menos dor, menos sangue. E,
se não for conveniente assassinar esses líderes que fazem a humanidade caminhar
para a frente, sempre se pode desacreditá-los, desmoralizá-los, manchá-los de
lama. (Instituições como o FBI e a CIA têm profunda expertise sobre o
assunto.) Aqui no Brasil, Getúlio, Jango, Brizola, Juscelino Kubitschek, Lula e
Dilma foram alvos de todo tipo de acusações. Ao pesquisar no Google sobre
Juscelino, encontro o que se aplica a todos os nomes acima citados: “Apesar de investigações e inquéritos que visavam
desgastar sua imagem e bloquear sua carreira política, nenhuma denúncia
foi comprovada [...]”
Há
algumas décadas, o nome Lula é o grande fantasma das classes dominantes. A
revista Veja (que Hélio Fernandes chamava
de “sujíssima”) publicava nos anos 80: “Em caso de
vitória de Lula, existe a possibilidade de elevação da temperatura social do
país, com greves e invasões de terras numa escala como nunca se viu.”
Então, Lula vem sendo pintado não apenas como um “comunista” – alguém que roubaria
a propriedade dos outros, fecharia igrejas, destruiria a família e faria várias
maldades semelhantes –, mas também como um ladrão no sentido estrito do termo.
Vários bens mirabolantes já foram atribuídos a Lula (inclusive um triplex,
assim como aconteceu com Juscelino) e à sua família. O seu filho Fábio Luís,
que não tem o apelido de Lulinha, mas assim é chamado pela imprensa
tendenciosa, já foi acusado de ser sócio da Friboi, da Oi, de ter uma fazenda
milionária, de ter uma Ferrari de ouro, e assim por diante. Agora está artificialmente
implicado na CPMI do INSS e teve seus sigilos quebrados – mas está
tranquilo: anteriormente, 10 anos de sua vida foram investigados, sem que nada
fosse encontrado. Aliás, seu advogado declarou que não haveria necessidade da
quebra de sigilos; porque Fabiano espontaneamente coloca todos os seus dados à
disposição da Justiça. Só para comparar: o ex-presidente Jair Boçal Fascista
decretou 1.108 sigilos de cem anos, e as falcatruas da familícia transbordam no meio da rua como
esgoto de dutos entupidos.
As
eleições vêm aí. O jogo sujo já começou. Influencers fantasiados de
políticos, como Nikolas Ferreira – o campeão das fake news, e que fazia
campanha política viajando nos jatinhos do banqueiro mafioso Vorcaro –, já estão em nova campanha, inventando as mais
absurdas mentiras sobre o PT, Lula, sobre qualquer coisa que afete os
interesses dos ricos e poderosos. A grande imprensa também está fechada com o
grande capital. “Jornalistas de programa” (na definição genial de um criativo
amigo), como Merval Pereira, Augusto Nunes, Eliane Cantanhede, Alexandre
Garcia, Demétrio Magnoli e muitos outros jamais abandonam o esporte da procura
de pelo em ovo, quando se trata de analisar os governos petistas. Para imensa
tristeza dessa mídia venenosa e mentirosa, entretanto, na lista de 18 políticos amiguinhos de Vorcaro não
há nenhum de partidos progressistas (PT, PSOL, etc.); são todos do
“Centrão” ou da direita.
O Brasil
– devemos sempre repetir – caminha para a frente: saiu do Mapa da Fome da ONU (ao qual havia voltado no desgoverno de Jair
Boçal Fascista), tem discretíssima inflação, crescimento seguro,
e está virtualmente numa situação de pleno emprego. Quem ganha até 5 mil reais
não paga mais imposto de renda; e é possível que ainda este ano seja varrida
para o lixo a escala 6 X 1, que mantém os trabalhadores sob um regime
praticamente escravista. Tudo isso deveria deixar o povo feliz e orgulhoso.
Porém, o povo não é informado sobre as realizações do governo. Enquanto
Lula brilha no exterior, conquistando simpatias e mercados, os correspondentes
brasileiros se empenham em fazer fofocas ou trazer temas periféricos, que nada
têm a ver com a viagem. Um repórter desses deveria ser imediatamente demitido –
se não estivesse fazendo exatamente o que mandam seus chefes e os patrões de
seus chefes...
Isso é o
que explica que Flávio Rachadinha, tão vagabundo e ladrão como o pai, Jair
Boçal Fascista, esteja em condições de disputar a presidência em
2026 com Lula, na opinião de muitos o maior presidente brasileiro da
História. Assim como o boçal-pai, o boçal-filho (que, aliás,
desmaiou e se cagou num debate quando era candidato a prefeito do Rio), não
poderia nem ser síndico – muito menos presidente. Mas a população é tangida
como gado pela grande mídia, pelas informações que chegam através das
redes sociais, e por pastores picaretas, que só pensam em dinheiro e de fato são ateus – porque se acreditassem no que
pregam, teriam medo de ir para o Inferno...
O prêmio
Nobel de Economia Paul Krugman se refere aos jornalistas que são pagos para
mentir em favor do poder econômico (praticamente todos os da grande mídia) como
“sicários da plutocracia”. Sicário significa mercenário: guerreiro de
aluguel, assassino de aluguel. Agora que o termo foi popularizado com o
escândalo do banqueiro mafioso Daniel Vorcaro, que deu esse apelido a um auxiliar
(aliás, neste momento entre a vida e a morte, depois de suspeita tentativa de
suicídio), vamos nos manter em guarda contra os sicários que, nas Tvs, nas
rádios, nos portais da Internet e nas redes sociais, levam a Senzala (99,9% da
população – todos nós) a acreditar nas mentiras que convêm à Casa-Grande.
Lembremos:
o que é bom para Daniel Vorcaro e para os bilionários, de modo geral, não é bom
para o Brasil.










