domingo, 27 de setembro de 2026

Escolha muito fácil

 

Texto original, de Leonardo Attuch, em https://www.brasil247.com/blog/o-eleitor-brasileiro-esta-a-uma-semana-da-escolha-mais-facil-de-sua-vida/

 

Texto editado / NMM:

O eleitor brasileiro está a uma semana de uma escolha que permite comparar não apenas dois candidatos, mas duas biografias, duas experiências políticas e duas concepções de Brasil.

De um lado está Lula, um personagem que atravessou praticamente meio século da história brasileira e com uma obra concreta que pode ser julgada pelos brasileiros.

Do outro está Flávio Bolsonaro, cuja principal credencial política deriva de seu sobrenome e do movimento político criado pelo pai, Jair Bolsonaro. O eleitor conhece suas posições, seus votos, suas controvérsias e o legado do campo político que representa.

No terceiro mandato de Lula, o Brasil alcançou os menores índices de desemprego de sua série histórica, enquanto a economia cresceu acima de diversas previsões pessimistas feitas no início do governo. O combate à pobreza e à insegurança alimentar voltou ao centro das políticas públicas, o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome, o BNDES recuperou protagonismo no financiamento do desenvolvimento e a Petrobras voltou a ocupar posição central na estratégia brasileira de energia, investimentos e industrialização.

Na política externa, o Brasil reconstruiu relações com seus vizinhos, aprofundou sua participação no BRICS, retomou protagonismo nas discussões ambientais e procurou manter relações simultaneamente construtivas com Estados Unidos, China, União Europeia, Rússia e o conjunto do Sul Global. Mais importante ainda, Lula recolocou a soberania nacional no centro do debate político brasileiro.

Em um cenário marcado pela volta das guerras comerciais, pela disputa tecnológica e pela crescente utilização de tarifas, sanções e instrumentos financeiros como mecanismos de pressão política, o presidente brasileiro passou a defender uma ideia elementar: o Brasil deve cooperar com todos, mas subordinar-se a ninguém. Lula, aos 80 anos, demonstra uma compreensão do sistema internacional que resulta não apenas da experiência política, mas de décadas de convivência com chefes de Estado, empresários, sindicalistas, intelectuais e movimentos sociais de praticamente todas as regiões do planeta.

Pode-se discordar de Lula, mas ele chega ao fim do terceiro mandato no auge de sua maturidade política e intelectual, depois de ter participado diretamente das grandes transformações brasileiras das últimas cinco décadas e de ter construído relações pessoais com algumas das principais lideranças mundiais de diferentes gerações.

Naturalmente, há problemas importantes, como o da dívida pública [administrada por um Banco Central independente do governo, mas dependente do mercado financeiro]; o que exige uma estratégia capaz de reduzir progressivamente a relação entre dívida e PIB sem sacrificar investimentos públicos nem destruir políticas sociais. Não é um desafio desconhecido por Lula e por uma equipe econômica que terá de enfrentá-lo nos próximos anos.

Esta eleição deveria ser discutida menos como uma guerra de identidades políticas e mais como uma comparação de trajetórias.

De um lado, está um presidente cuja biografia inclui a reconstrução democrática do movimento sindical, a Constituinte, três mandatos presidenciais, políticas sociais que transformaram o país e uma projeção internacional que poucos líderes brasileiros alcançaram.

Do outro, Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro e herdeiro político do movimento de extrema-direita criado por seu pai, marcado por violência, negacionismo e isolamento internacional do Brasil.

Há ainda outras candidaturas, mas a disputa está fortemente concentrada nos dois principais candidatos. A chamada terceira via, pelo menos até aqui, não conseguiu romper essa polarização.

Não se trata de escolher entre duas promessas abstratas de futuro: um dos candidatos governou o Brasil por doze anos e pode ser avaliado por aquilo que efetivamente realizou, enquanto o outro representa a continuidade de uma experiência política igualmente conhecida pelos brasileiros. O eleitor dispõe de informações abundantes sobre ambos, e conhece também o Brasil produzido por cada projeto político.

Talvez a melhor maneira de encarar o momento na cabine de votação seja comparar biografias, resultados, projetos de país e a capacidade demonstrada por cada candidato para exercer a Presidência da República.

Poucas vezes o eleitor brasileiro encontrou diante de si uma escolha tão simples, que consiste em conferir ao presidente Lula a oportunidade de seguir trabalhando pelo povo brasileiro e por uma ordem internacional mais justa.

sábado, 26 de setembro de 2026

Burrice Artificial

 



Nelson M. Mendes

O Google informa que a agnotologia é “o estudo da produção intencional da ignorância e da desinformação”, e que essa produção visa “confundir pessoas e proteger interesses poderosos.”

O Google também diz que inteligência artificial (IA) “é um conjunto de tecnologias e métodos da ciência da computação que permite a máquinas e programas simular” o funcionamento da mente humana.

Hoje, a inteligência artificial foi colocada a serviço da burrice. O jurista Lenio Strech diz: “O estúpido de antigamente era artesanal. O de hoje é industrial [...]”

O jurista e cientista político Rubens Casara escreveu sobre isso o livro “A construção do idiota”.



E o sociólogo Jessé Souza procurou explicar, no livro “O pobre de direita”, por que as pessoas na base da pirâmide social – os pobres – fazem o jogo da classe dominante e votam nos seus carrascos.



O objetivo da doutrinação é conhecido de todos os que não foram imbecilizados. Como disse o jornalista Leonardo Attuch, “a dominação nunca se exerce apenas por armas, moedas ou sanções. Ela também depende da capacidade de convencer os dominados de que não existe alternativa.”

Atuch destaca que há “um projeto de extrema-direita, corrupto e fascista” de novamente colocar o Brasil “sob tutela externa”.

Para isso trabalham a grande mídia, as big techs, as redes sociais, partidos de extrema direita e até candidatos à presidência. Jornalistas vendidos, políticos sem caráter e influencers propagam rapidamente o agnotovírus. É por isso que a burrice hoje é uma pandemia.

É por isso que os bolsonaristas desfilam com bandeira estadunidense, para a qual Jair bateu continência – não sei se antes ou depois de ter dito “I love you” para Donad Trump, o Nero do século 21.

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Em 2018, quando Lula estava preso, vítima de uma fraude judicial, o PT lançou às pressas Fernando Haddad para concorrer com Jair Boçal Fascista Bolsonaro. O Estadão publicou, então, editorial dizendo que o eleitor estava diante de “uma escolha muito difícil”: Haddad, um professor com PhD que tinha sido excelente prefeito de São Paulo e excelente ministro da Educação; ou Bolsonaro, um miliciano psicopata e imbecil que nunca fez nada além de ofender, apoiar tortura, conspirar e roubar.

Com grande apoio da mídia, que defende interesses transnacionais e despreza o povo, o Boçal Fascista foi eleito.

Felizmente, tendo Lula sido considerado inocente por um STF que acordou, e até pela própria ONU, foi ele libertado e venceu o Boçal em 2022.

Em 2026, quem está preso, depois de julgamento corretíssimo, em que teve amplo direito de defesa, é Jair Boçal Fascista, o filhote de Hitler. Pois então ele lançou o neto de Hitler, seu filho Flávio, como candidato.

Vamos a algumas considerações para ver se estamos novamente diante de uma “escolha difícil”.

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Quem é Flávio Boçal Fascista Bolsonaro?

Flávio começou a vida adulta como funcionário-fantasma na Câmara dos Deputados, em Brasília, enquanto cursava Direito no Rio de Janeiro...

Em 2002, elegeu-se deputado estadual pelo Rio, cumprindo quatro mandatos, durante os quais ignorou temas como saúde e educação; mas elogiou ditadores, defendeu o torturador Brilhante Ustra, e homenageou com a Medalha Tiradentes o miliciano Adriano da Nóbrega, cujas mãe e ex-mulher trabalharam no gabinete do deputado na ALERJ.

Ah, e como ninguém é de ferro, colocou o esquivo assessor Fabrício Queiroz para operar um esquema de “rachadinhas”, pelo qual mordia em média 60% dos salários de seus funcionários (90% em alguns casos). A investigação do caso não foi adiante porque papai Jair, então presidente, disse que não ia deixar ninguém “foder” sua família; até Moro, ministro da Justiça, pediu o boné, incomodado com a interferência de Jair na PF.

Mas não foi apenas por causa das “rachadinhas” que Flávio teve uma evolução patrimonial inexplicável. São conhecidas as suas relações com os piores personagens do submudo fluminense, dos quais o mais notório é Adriano da Nóbrega, chefe do "Escritório do Crime",  de que fazia parte o assassino de Marielle Franco.

O dinheiro sujo (que permitiria à família Bolsonaro, de modo geral, comprar 107 imóveis, 51 pagos em dinheiro vivo) tinha que ser lavado de alguma forma. As igrejas evangélicas de picaretas como Malafaia prestam esse serviço; mas Flávio inovou: inventou uma “fantástica loja de chocolates”. Até o G1, do Grupo Globo, que nada tem de “lulista” ou “comunista”, apresentou em 2020 a matéria: “Loja de chocolates de Flávio Bolsonaro recebeu depósitos sucessivos em dinheiro e com mesmo valor entre 2015 e 2018”.

Desde 2018, Flávio é senador. E o que tem feito? Exatamente o que fez como deputado: nada. Quer dizer: continua fazendo seus negócios escusos; e mentindo.

O próprio Estadão, que não morre de amores por Lula ou pelo PT, disse, em editorial a propósito do envolvimento de Flávio com o banqueiro mafioso Vorcaro, do banco Master, que as mentiras do senador não surpreendem: “A mendacidade é a própria natureza do clã Bolsonaro.”

Como sabemos, Flávio havia negado conhecer Vorcaro, embora seu nome constasse da agenda do banqueiro. Mas finalmente uma reportagem do The Intercept Brasil revelou que Flávio Bolsonaro, já em plena crise do Master e pouco antes da prisão de Vorcaro, pediu a ele, chamando-o de “irmão”, R$134 milhões para o filme “Dark Horse”, dos quais R$61 milhões (mais de 70, soube-se depois) teriam sido transferidos; não para a Go Up Enterteinment, produtora de Dark Horse, mas para um fundo no Texas administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro, que está – na prática – foragido nos EUA...

Flávio chega portanto à disputa com amplo telhado de vidro: “rachadinhas”, homenagem ao miliciano Adriano, “fantástica loja de chocolate”, compra subfaturada de mansão na Brasília do sinistro e escorregadio governador Ibaneis Rocha, pedido de dinheiro a Vorcaro, etc.

Além do mais, Flávio sempre se colocou contra o Brasil: saudou as tarifas de 2025 impostas por Trump a nossos produtos, assim como a aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras; Lula lembrou que os “meninos de Bolsonaro” comemoraram a taxação, e que Flávio escreveu: “Obrigado, Presidente Trump. Faça o Brasil livre de novo.”

Flávio declarou também desejar que os estadunidenses, assim como fizeram criminosamente na Venezuela, assassinando pescadores, bombardeassem, na baía de Guanabara, barcos que supostamente traficariam drogas; e na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), realizada no Texas, disse explícita e indecentemente: “O Brasil é a solução para que os Estados Unidos não dependam mais da China em terras-raras e minerais críticos.”

Após EUA anunciarem nova sobretaxa de 25% a produtos brasileiros e afirmarem que PIX os prejudica, o que foi relacionado à visita de Flávio à Casa Branca, o apelido Tariflávio passou a circular.

Tariflávio prometeu aos EUA reduzir tributos dos cartões de crédito, facilitando a vida de bandeitras internacionais como Visa e Mastercard, e ao mesmo tempo enfraquecer o brasileiríssimo Pix.

Tampouco ficou bem na foto o Boçal Fascista Júnior quando foi divulgada a carta em que Marco Rubio – a garra de Trump sobre a América Latina – agradece a "generosa oferta", feita por Flávio, de colocar uma equipe de transição à disposição dos EUA, caso eleito.



E segue o Boçal defendendo organização que tentou golpe em 8 de janeiro de 2023; assim como minimizando a responsabilidade do pai em pelo menos 400 das 700 mil mortes na pandemia de Covid-19.

Flávio Boçal anda em péssimas companhias: como se não bastassem os velhos companheiros da milícia, do crime organizado e da máfia financeira, ele apoia algumas das figuras mais nefastas do mundo, como o imperador/assassino Trump, o imbecil Milei, o genocida Netanyahu.

Os elementos do entorno de Flávio estão envolvidos em ilicitudes: como Vorcaro; como o volúvel Moro, que, entretanto, no passado, escreveu que Jair protegeu Flávio das investigações sobre “rachadinhas”; e também Tarcísio, sujo por questionáveis privatizações, e que concedeu ao meliante Milei a Ordem do Ipiranga.

E mais: a coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, quer implantar o programa econômico de Milei. Para quem não sabe: o corrupto e insano Milei está destruindo a Argentina, levando milhões para a miséria e milhares para o suicídio (recorde de 5.209 suicídios em 2025, taxa acima da média mundial).

Ou seja: Flávio Boçal Fascista Bolsonaro – que, como todos da família, nunca fez na vida nada que preste –, não cuidaria de saúde, educação, desenvolvimento, trabalhador, meio ambiente, transição energética;  destruiria as instituições, indústrias, empregos, salários, florestas, e entregaria nossas riquezas aos EUA, império decadente e ganancioso.

 

E quem é Luís Inácio Lula da Silva?

Lula é aquele típico sertanejo que fugiu da seca no Nordeste: ainda criança, foi com a família para São Paulo, onde trabalharia como metalúrgico e terminaria se notabilizando como líder sindical. Ele conta que não gostava de política; mas, premido pelas circunstâncias, e observando que os trabalhadores não eram representados no Congresso, resolve fundar o PT em 1980; em 1986, é eleito o deputado federal mais votado do país, por SP, e atuaria na Constituinte ao lado de respeitados nomes como Florestan Fernandes.

Desde o primeiro mandato presidencial (2003/06), Lula deixou claro que suas prioridades seriam combater a fome, desenvolver o país, prover ao povo educação e saúde. Seu bordão, que expressa uma lei econômica desprezada pelos manuais neoliberais, é: “Pouco dinheiro na mão de muitos é riqueza de todos; muito dinheiro na mão de poucos é pobreza de todos.”

Foi com base nessa política que em 2014, no governo Dilma, o Brasil saiu pela primeira vez do chamado Mapa da Fome, da ONU; ao qual voltaria no governo do Jair Boçal Fascista, quando as pessoas disputavam ossos e até sobras de comida. Somente em 2025, no terceiro governo Lula, o Brasil saiu do Mapa da Fome pela segunda vez.

E, muito ao contrário do que sustentam alguns especialistas e os “jornalistas de programa” (na expressão de pândego amigo), Lula sempre soube economizar: ao final do seu segundo mandato, em 2010, o país acumulava mais de US$ 350 bilhões em reservas internacionais, que seriam providenciais, aliás, durante o desastroso desgoverno do Boçal Pai.

Carolina Maria de Jesus, em Quarto de Despejo: diário de uma favelada (1960), escreveu: “O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome também é professora. Quem passa fome aprende a pensar no próximo, e nas crianças.”

Esse é um diferencial de Lula: ele passou fome. Costuma contar que só com sete anos comeu um pão pela primeira vez. E que, num dos primeiros encontros com vários líderes estrangeiros, conseguiu controlar uma certa apreensão com o pensamento: “Nenhum deles aqui passou fome...”

Mas Lula não se limita a “políticas assistencialistas” – que, na verdade, ao dar poder de compra a milhões, terminam por dinamizar a economia como um todo. Mesmo o FMI (do qual o Brasil, com Lula, se libertou, e do qual a Argentina é refém) reconhece que o Brasil voltará ao top 10 das economias em 2026, ultrapassando o Canadá; e que, depois de ultrapassar a Rússia em 2027, deverá superar a Itália em 2028, assumindo o 8º lugar.

Isso tudo tendo de enfrentar o Congresso, a mídia, o Banco Central independente e as big techs – todo mundo trabalhando para os milionários e bilionários.

Lula, ao lançar sua candidatura em 2026 no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo, palco de histórica atuação como líder sindical, prometeu desenvolvimento através de educação, emprego e industrialização. Afirmou que nossas terras raras e minerais críticos, essenciais para as novas tecnologias, têm de ser explorados e processados dentro do Brasil, gerando aqui riqueza e empregos. Lembrou que, graças a seu compromisso com a educação, o Brasil passou de 5 milhões de universitários em 2005, a 25 milhões hoje; e que ele e Dilma construíram 606 institutos federais de ensino profissional – que deverão chegar a 800 até o fim de 2026.

É isso o que Lula representa: a educação, o desenvolvimento sustentável e com distribuição de renda. Assim como nenhum pais se desenvolveu realmente sem a mão visível do Estado, ao contrário do que dizem os hipócritas apóstolos do Neoliberalismo, nenhum país se desenvolveu sem investimento sério na educação; nenhum.

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Infelizmente, desde que o mundo é mundo alguns tentam se apropriar da riqueza de muitos; e para isso tentam convencer o explorado de que a situação lhe é conveniente – e que, além do mais, não há alternativa. “There is no alternative” – dizia a megera Margaret Thatcher.



Esse trabalho de convencimento é feito pela religião, pela indústria cultural, e até pela ciência. Para começo de assunto, é preciso boicotar a educação, e entupir a cabeça das pessoas de frivolidades e idéias contrárias a seus interesses. Como disse Lenio Strech, o que era feito artesanalmente, é, agora, na era da Internet e dos algoritmos, feito em escala industrial: o emburrecimento é tsunâmico.



Esses nossos tempos, em que um miliciano psicopata e imbecil (Flávio) pode concorrer com um estadista mundialmente respeitado (Lula) deverão ser conhecidos no futuro como a era áurea não propriamente da agnotologia, que é o estudo da produção intencional da ignorância; mas da agnotolatria, que é a adoração da ignorância.




terça-feira, 19 de maio de 2026

Niterói vai virar deserto?



Nelson. M. Mendes

Em 2005, escrevi um texto intitulado “Dendrofobia”; mas ele ficou guardado numa gaveta digital.  Em 2017, eu o editei, adaptei, e publiquei no blog Satyagraha.

Depois de lamentar que o texto de 2005 estivesse, em 2017, “mais atual do que nunca”, eu explicava que dendrofobia significa “horror às árvores”, na definição de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira.

Para mim e muitas pessoas que conheço, é inconcebível que alguém possa ter horror às árvores. Mas a fobia é real e muito comum. No texto de 2017 eu cito Tom Jobim: “Brasileiro tem pavor de árvore.” Lembro ainda que o primeiro ciclo econômico brasileiro havia sido o do pau-brasil. Ou seja: o país nasceu sob o signo do ataque à floresta.

Quando o colonizador europeu aportou nestas plagas tropicais, ele queria riquezas. Não encontrou imediatamente ouro, prata, pedras preciosas; mas descobriu uma árvore que, quando cortada, produzia um corante “vermelho como brasa”, e que daria nome ao país: o pau-brasil. Iniciava-se o ciclo da exploração predatória da árvore – que esteve perto da extinção e hoje é protegida por lei.

Ousando aqui ensaiar algo como uma psicanálise antropológica, diria que o ser humano, de modo geral, à medida que se afastava da vida primitiva e relativamente se libertava do jugo da natureza, passou a privilegiar as conquistas civilizacionais e rejeitar os aspectos naturais.

Então as aldeias, e depois as cidades, passaram a representar refúgios em relação às inclemências da selvagem natureza. A casa de madeira ou de pedra significava avanço, modernidade, segurança. O chão de terra batida das ruelas era mais confortador do que os espinheiros da floresta ou da campina. Lá fora, tudo era mato.

Ainda hoje, muitas pessoas parecem exibir esse comportamento do homem primitivo que conseguiu libertar-se da opressão exercida pela natureza. Olham as árvores com desconfiança e até ressentimento. Execram o verde. Entusiasmam-se com o asfalto, o concreto, o tijolo, o azulejo. Na primeira oportunidade, substituem um jardim ou gramado por cimento ou cerâmica. E não perdem a chance de exterminar uma árvore.

 

O processo de anelamento

Uma das primeiras formas de ataque às árvores é o processo de anelamento. O Google esclarece: “O anelamento de árvores é a remoção de um anel de casca (floema) ao redor do tronco ou ramos, interrompendo o transporte de seiva elaborada para as raízes. Usado na agricultura para induzir produção e melhorar frutos, pode causar a morte da planta se feito no tronco, sendo considerado crime ambiental em áreas públicas ou privadas.” Então é isso: anelamento é crime. Um crime praticado corriqueiramente, como veremos a partir de registros fotográficos feitos desde os primeiros anos do século XXI.

As fotos 01 a 04 mostram árvores que sofreram o processo de anelamento para que morressem e, assim, pudessem ser retiradas. Na foto 01, algo semelhante a óleo queimado foi colocado na ferida aberta no tronco, para envenenar a árvore e apressar sua morte.



 

O assassinato de uma árvore

Nas fotos 05 a 10, o escriba registrou o assassinato no Jardim Paris, Estrada Fróes, de uma exuberante e umbrosa pata-de-vaca, que não causava qualquer problema: não quebrava a calçada, não ameçava qualquer fio, não dificultava a entrada na garagem. A árvore já tinha sofrido um anelamento extenso, mas insistia em sobreviver. Então foi feito novo anelamento, junto às raízes, e logo os madeireiros do asfalto começaram a destruir a árvore, até que restasse apenas um impreciso quadrilátero de terra nua e seca. Na foto 10, uma seta amarela indica o objetivo do dendrocídio (palavra ainda não dicionarizada e que significa ‘assassinato de árvore’): plantar uma risível palmeira decorativa, que jamais produziria uma sombra sob a qual o morador pudesse estacionar seu carro. (Ele passaria a estacionar sob a árvore do vizinho.)



 

Árvores mutiladas

Na sequência, são apresentadas fotos de árvores mutiladas basicamente pela prefeitura e pela companhia de energia elétrica – que muda de nome, de dono, mas não abandona o furor dendrocida. As instituições têm licença para mutilar; e matar, como veremos adiante.

Nas fotos 11 a 14, feitas em 2004, árvores mutiladas parecem se contorcer, angustiadas, na rua Gen. Pereira da Silva, em Icaraí.



Nas fotos 15 a 17, praticamente só restaram os troncos das árvores na rua Mariz e Barros.



Nas fotos 18 e 19, a mutilação de amendoeiras na Praia de Icaraí.



Fotos 20 e 21: a exuberante amendoeira, que projetava charmosa galharia na direção do mar, foi incompreensivelmente mutilada.



Fotos 22 e 23: o que justifica que árvores sejam transformadas em tais esqueletos mutilados? Na foto 23, a moça do painel publicitário parece contemplar, perplexa, a galharia congelada em angustiada contorsão.



Fotos 24 a 26: árvores mutiladas no bairro de São Domingos.



Fotos 27 e 28: árvores transformadas em tridentes no bairro de Santa Rosa.



Fotos 29 a 31: No bairro de São Francisco, árvores transformadas em tridentes ou postes. Chama a atenção que em frente à Niterói Empresa de Lazer e Turismo (NELTUR), a árvore teve sua copa inteira e injustificadamente decepada.



 

Árvores eliminadas

Na foto 32, o verde preponderava, em 2007; na foto 33, a visão semiárida de hoje, 2026. Na foto 34, a seta azul mostra a razão da mudança: a árvore, que já vinha sendo maltratada e mutilada há anos, foi, finalmente, para gáudio da vizinhança dendrofóbica, exterminada. A foto 35 mostra um close da destruição.



As fotos 36 a 39 registram o extermínio de árvores na rua Ator Paulo Gustavo, desde quando (foto 36) a rua se chamava Cel. Moreira César.



As fotos 40 a 43 mostram túmulos possivelmente de acácias rosas, uma das quais, numa bela manhã de 2017, inspirou ao escriba o poema Chuva de flores:

Numa rua qualquer

na concreta calçada

a árvore

saudava os passantes

com uma chuva de flores



Na foto 44, num pitoresco recanto do bairro de Santa Rosa, a “hedionda cicatriz” deixada no lugar da árvore arrancada. Na foto 45, a seta mostra o cimento liso no lugar de uma árvore que o escriba chegou a conhecer.



Fotos 46 e 47: o ficus mutilado, registrado em 2005, em frente ao restaurante Torninha, na rua Nóbrega, finalmente foi exterminado em 2026.



Fotos 48 a 50: outro exuberante e saudável ficus, desta vez na rua Domingues de Sá, foi eliminado, já em 2005, deixando mais uma “hedionda cicatriz”.



As fotos 51 a 54 mostram o que restou de algumas árvores no bairro de São Francisco.



 

Curiosidades

A foto 55 mostra a lápide da árvore que havia na esquina das ruas Otávio Kelly e Domingues de Sá, no Jardim Icaraí (área de transição entre os bairros de Santa Rosa e Icaraí). A árvore, nesse caso, morreu de causas naturais: caiu numa tempestade. Mas a ninguém ocorreu plantar outra, de uma espécie mais robusta, menor, e menos suscetível às intempéries. As autoridades preferiram selar o ponto em que houve um dia uma bela árvore. A EMUSA (atual ION) registrou no cimento a data do funeral: 2 - 23 - 001 (23 de fevereiro de 2001). As ruas de Niterói, aliás, estão cheias de sepulturas semelhantes. Mas nenhuma outra com inscrição funerária: em geral, a calçada sofre uma criteriosa cirurgia plástica (que pode incluir a reconstituição do calçamento com pedras portuguesas), de modo a apagar completamente a lembrança da árvore abatida. Na foto 56, a plantação de fradinhos, num local da Alameda Carolina em que nada impediria a presença de várias árvores, foi substituída pela plantação de tubos de metal.



 

Belas-árvores

O subtítulo é uma brincadeira alusiva à tradicional expressão belas-artes. O pintor paranaense Albano de Carvalho, que viveu décadas em Niterói, abriu na cidade, com seu filho Adolfo, um curso de desenho e pintura. O escriba, por um breve período nos anos 1960, fez algumas aulas. Muitos anos depois reencontrou casualmente o professor Albano, já bem idoso, que o convidou a visitá-lo em sua casa. Então, em seus arquivos, no meio de desenhos e aquarelas, mostrou uma bela e delicada folha de árvore. Ele disse ao escriba que aquela linda folha era um lembrete de que nenhum artista podia competir com a perfeição da natureza.

Ao longo dos anos, o escriba fotografou árvores que haviam escapado à sanha dendrocida das instituições (privadas ou públicas) e da população de modo geral. E capturou, na Internet, imagens que mostram o quão exuberantes e belas podem ser as árvore quando, como queria Tom Jobim, são deixadas em paz. Abaixo, algumas dessas fotografias.

As fotos 57 e 58 mostram, no bairro de São Francisco, árvores que, protegidas em terrenos particulares, não puderam ser atacadas nem pela ENEL (antiga AMPLA, antiga CERJ), nem pela Prefeitura, nem por moradores dendrófobos. A foto 59 mostra lindo pau-ferro que resiste na rua Mariz e Barros.



Nas fotos 60 e 61, sapucaias exuberantes e ainda mais engalanadas que as pintadas por Batista da Costa (“Sapucaieiras Engalanadas”). Foram fotografadas num condomínio na rua Dr. Paulo César, no bairro de Santa Rosa.



Na foto 62, a gigantesca ficus elastica (também conhecida como figueira italiana) no bairro do Gragoatá. Segundo o Google, ela “é a única árvore tombada como patrimônio cultural, ecológico e paisagístico do município”. (Infelizmente, todas as demais árvores da cidade estão sob permanente risco de tombamento no pior sentido do termo.) A foto 63, no campus da UFF, também no Gragoatá, registra o quanto de lirismo e beleza podem as árvores trazer aos ambientes urbanos em geral.



Na foto 64, el árbol del Tule, no Estado de Oaxaca, México. Na foto 65, a samaúma, a “rainha da Amazônia”.



Foto 66: baobá, na Tanzânia, com idade estimada em 6 mil anos. Foto 67: um venerável carvalho na Inglaterra. Foto 68: a criatividade da natureza manifestada no pictórico eucalipto arco-íris.



Foto 69: milenar exemplar de jequitibá rosa, no Parque Estadual dos Três Picos, RJ. Foto 70: um jequitibá branco pleno e elegante.



Foto 71: árvore desconhecida, porém exuberante e generosa, registrada pelo escriba em viagem de Quissamã a Santa Maria Madalena, ambas as cidades no Estado do Rio de Janeiro. Foto 72: o escriba captou uma pincelada de Deus, com araucárias em primeiro plano.



Foto 73: a imagem, capturada na Internet, mostra o quão mais lindas as árvores podem tornar nossas vidas.



A foto 74 chegou ao escriba num post nas redes sociais. Mostra um rebanho de cabras abrigado sob a sombra de uma árvore. Vinha acompanhada exatamente dessa legenda – “A importância de uma árvore” –, e pedia ao usuário: “Compartilhe, por favor.”



O escriba está compartilhando. Mas não pode se esquecer de que, certa ocasião, conversando com uma transeunte sobre a destruição das árvores e o concomitante desaparecimento das sombras nas calçadas, ouviu-a disparar o comentário surreal, mas que explica muita coisa: “Sombra? Pra que sombra?”

sexta-feira, 6 de março de 2026

De criancinhas, sicários e eleições

 



Nelson M. Mendes

Nós não estamos sitiados por “comunistas” ávidos por tomar o poder e comer nossas criancinhas. Pelo contrário, uma das coisas que os famigerados “Arquivos Epstein” tem demonstrado é que a elite capitalista é que gosta de comer criancinhas – em todas as acepções do verbo “comer”. Mas há décadas a indústria cultural tenta nos fazer crer que estamos ameaçados por “comunistas”. Recentemente, um bolsonazista imbecil, entrevistado numa dessas cada vez mais esvaziadas manifestações de extrema direita, afirmava, convicto, que “eles” (uma difusa entidade que aparentemente reuniria Governo Federal e STF) querem tomar as propriedades das pessoas, para dividir com os pobres. Ora, o PT já conquistou a presidência cinco vezes, e não consta que qualquer pessoa tenha perdido um único bem; pelo contrário, uma das características dos governos petistas é a prosperidade generalizada, inclusive dos que já tinham boa situação.  Entretanto, aqueles que não tiveram formação sólida – não leram bons livros, não fizeram um bom curso universitário, não conversaram com mentes esclarecidas – se deixam envolver por esse discurso.

As instituições, de modo geral, trabalham em favor do poder econômico. Sempre foi assim. A imprensa brasileira, desde tempos imperiais, defende a classe dominante. O jornal O Estado de São Paulo, por exemplo, se colocou a princípio contra a Abolição da Escravatura; só quando a causa se tornou uma corrente imparável é que ele aderiu. Do mesmo modo, a Rede Globo só passaria a noticiar as manifestações pelas “Diretas já”, nos anos 80 do século XX, quando ficou impossível fingir que nada estava acontecendo. O jornal O Globo se opôs ferozmente à criação do 13º salário por Jango: disse que seria “desastroso” para o país; e saudou entusiasticamente o golpe de 1964, um violento retrocesso em favor da elite econômica e do imperialismo estadunidense.


Hoje esses jornalões, mais do que nunca, defendem os poderosos – os empresários do agronegócio, os banqueiros, os bilionários. O Estadão, para fazer jus à sua tradição escravocrata, acaba de saudar, em editorial, a infame reforma trabalhista imposta por Milei à Argentina, que está sendo destroçada pelo governo ultraliberal.  A missão da imprensa, no momento, é condenar histericamente a derrubada da escala de trabalho 6 X 1 (seis dias de trabalho por um de descanso). Segundo essa imprensa, isso é mais uma coisa que vai “quebrar o Brasil”. Mas engordar banqueiros e rentistas comprometendo quase 50% do Orçamento Federal com  pagamento de juros é econômica e socialmente saudável. Lembrando ainda que os políticos empenhados em se opor a essa nova abolição trabalham numa escala 3 X 4, ou até 2 X 5 – três ou apenas dois dias de trabalho por semana...

Os mesmos setores da classe dominante e da imprensa que se opuseram à abolição da escravatura, ao 13º salário, e que hoje se opõem ao fim da escravocrata escala 6 X 1, dedicam boa parte de seu tempo a torpedear todos aqueles políticos que procuram trabalhar em prol do bem comum. (Não se alarmem! Não estou falando de Comunismo!)

A História mundial está repleta de mártires que tombaram exatamente porque desejavam construir um mundo com menos injustiça, menos dor, menos sangue. E, se não for conveniente assassinar esses líderes que fazem a humanidade caminhar para a frente, sempre se pode desacreditá-los, desmoralizá-los, manchá-los de lama. (Instituições como o FBI e a CIA têm profunda expertise sobre o assunto.) Aqui no Brasil, Getúlio, Jango, Brizola, Juscelino Kubitschek, Lula e Dilma foram alvos de todo tipo de acusações. Ao pesquisar no Google sobre Juscelino, encontro o que se aplica a todos os nomes acima citados: “Apesar de investigações e inquéritos que visavam desgastar sua imagem e bloquear sua carreira política, nenhuma denúncia foi comprovada [...]”

Há algumas décadas, o nome Lula é o grande fantasma das classes dominantes. A revista Veja (que Hélio Fernandes chamava de “sujíssima”) publicava nos anos 80: “Em caso de vitória de Lula, existe a possibilidade de elevação da temperatura social do país, com greves e invasões de terras numa escala como nunca se viu.” Então, Lula vem sendo pintado não apenas como um “comunista” – alguém que roubaria a propriedade dos outros, fecharia igrejas, destruiria a família e faria várias maldades semelhantes –, mas também como um ladrão no sentido estrito do termo. Vários bens mirabolantes já foram atribuídos a Lula (inclusive um triplex, assim como aconteceu com Juscelino) e à sua família. O seu filho Fábio Luís, que não tem o apelido de Lulinha, mas assim é chamado pela imprensa tendenciosa, já foi acusado de ser sócio da Friboi, da Oi, de ter uma fazenda milionária, de ter uma Ferrari de ouro, e assim por diante. Agora está artificialmente implicado na CPMI do INSS e teve seus sigilos quebrados – mas está tranquilo: anteriormente, 10 anos de sua vida foram investigados, sem que nada fosse encontrado. Aliás, seu advogado declarou que não haveria necessidade da quebra de sigilos; porque Fábio espontaneamente coloca todos os seus dados à disposição da Justiça. Só para comparar: o ex-presidente Jair Boçal Fascista decretou 1.108 sigilos de cem anos, e as falcatruas da familícia transbordam no meio da rua como esgoto de dutos entupidos.

As eleições vêm aí. O jogo sujo já começou. Influencers fantasiados de políticos, como Nikolas Ferreira – o campeão das fake news, e que fazia campanha política viajando em jatinho do banqueiro mafioso Vorcaro –, já estão em nova campanha, inventando as mais absurdas mentiras sobre o PT, Lula, sobre qualquer coisa que afete os interesses dos ricos e poderosos. A grande imprensa também está fechada com o grande capital. “Jornalistas de programa” (na definição genial de um criativo amigo), como Merval Pereira, Augusto Nunes, Eliane Cantanhede, Alexandre Garcia, Demétrio Magnoli e muitos outros jamais abandonam o esporte da procura de pelo em ovo, quando se trata de analisar os governos petistas. Para imensa tristeza dessa mídia venenosa e mentirosa, entretanto, na lista de 18 políticos amiguinhos de Vorcaro não há nenhum de partidos progressistas (PT, PSOL, etc.); são todos do “Centrão” ou da direita.

O Brasil – devemos sempre repetir – caminha para a frente: saiu do Mapa da Fome da ONU (ao qual havia voltado no desgoverno de Jair Boçal Fascista), tem discretíssima inflação, crescimento seguro, e está virtualmente numa situação de pleno emprego. Quem ganha até 5 mil reais não paga mais imposto de renda; e é possível que ainda este ano seja varrida para o lixo a escala 6 X 1, que mantém os trabalhadores sob um regime praticamente escravista. Tudo isso deveria deixar o povo feliz e orgulhoso. Porém, o povo não é informado sobre as realizações do governo. Enquanto Lula brilha no exterior, conquistando simpatias e mercados, os correspondentes brasileiros se empenham em fazer fofocas ou trazer temas periféricos, que nada têm a ver com a viagem. Um repórter desses deveria ser imediatamente demitido – se não estivesse fazendo exatamente o que mandam seus chefes e os patrões de seus chefes...

Isso é o que explica que Flávio Rachadinha, tão vagabundo e ladrão como o pai, Jair Boçal Fascista, esteja em condições de disputar a presidência em 2026 com Lula, na opinião de muitos o maior presidente brasileiro da História. Assim como o boçal-pai, o boçal-filho (que, aliás, desmaiou e se cagou num debate quando era candidato a prefeito do Rio), não poderia nem ser síndico – muito menos presidente. Mas a população é tangida como gado pela grande mídia, pelas informações que chegam através das redes sociais, e por pastores picaretas, que só pensam em dinheiro e de fato são ateus – porque se acreditassem no que pregam, teriam medo de ir para o Inferno...

O prêmio Nobel de Economia Paul Krugman se refere aos jornalistas que são pagos para mentir em favor do poder econômico (praticamente todos os da grande mídia) como “sicários da plutocracia”. Sicário significa mercenário: guerreiro de aluguel, assassino de aluguel. Agora que o termo foi popularizado com o escândalo do banqueiro mafioso Daniel Vorcaro, que deu esse apelido a um auxiliar (aliás, neste momento entre a vida e a morte, depois de suspeita tentativa de suicídio), vamos nos manter em guarda contra os sicários que, nas Tvs, nas rádios, nos portais da Internet e nas redes sociais, levam a Senzala (99,9% da população – todos nós) a acreditar nas mentiras que convêm à Casa-Grande.

Lembremos: o que é bom para Daniel Vorcaro e para os bilionários, de modo geral, não é bom para o Brasil.