sábado, 26 de setembro de 2026

Burrice Artificial

 



Nelson M. Mendes

O Google informa que a agnotologia é “o estudo da produção intencional da ignorância e da desinformação”, e que essa produção visa “confundir pessoas e proteger interesses poderosos.”

O Google também diz que inteligência artificial (IA) “é um conjunto de tecnologias e métodos da ciência da computação que permite a máquinas e programas simular” o funcionamento da mente humana.

Hoje, a inteligência artificial foi colocada a serviço da burrice. O jurista Lenio Strech diz: “O estúpido de antigamente era artesanal. O de hoje é industrial [...]”

O jurista e cientista político Rubens Casara escreveu sobre isso o livro “A construção do idiota”.



E o sociólogo Jessé Souza procurou explicar, no livro “O pobre de direita”, por que as pessoas na base da pirâmide social – os pobres – fazem o jogo da classe dominante e votam nos seus carrascos.



O objetivo da doutrinação é conhecido de todos os que não foram imbecilizados. Como disse o jornalista Leonardo Attuch, “a dominação nunca se exerce apenas por armas, moedas ou sanções. Ela também depende da capacidade de convencer os dominados de que não existe alternativa.”

Atuch destaca que há “um projeto de extrema-direita, corrupto e fascista” de novamente colocar o Brasil “sob tutela externa”.

Para isso trabalham a grande mídia, as big techs, as redes sociais, partidos de extrema direita e até candidatos à presidência. Jornalistas vendidos, políticos sem caráter e influencers propagam rapidamente o agnotovírus. É por isso que a burrice hoje é uma pandemia.

É por isso que os bolsonaristas desfilam com bandeira estadunidense, para a qual Jair bateu continência – não sei se antes ou depois de ter dito “I love you” para Donad Trump, o Nero do século 21.

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Em 2018, quando Lula estava preso, vítima de uma fraude judicial, o PT lançou às pressas Fernando Haddad para concorrer com Jair Boçal Fascista Bolsonaro. O Estadão publicou, então, editorial dizendo que o eleitor estava diante de “uma escolha muito difícil”: Haddad, um professor com PhD que tinha sido excelente prefeito de São Paulo e excelente ministro da Educação; ou Bolsonaro, um miliciano psicopata e imbecil que nunca fez nada além de ofender, apoiar tortura, conspirar e roubar.

Com grande apoio da mídia, que defende interesses transnacionais e despreza o povo, o Boçal Fascista foi eleito.

Felizmente, tendo Lula sido considerado inocente por um STF que acordou, e até pela própria ONU, foi ele libertado e venceu o Boçal em 2022.

Em 2026, quem está preso, depois de julgamento corretíssimo, em que teve amplo direito de defesa, é Jair Boçal Fascista, o filhote de Hitler. Pois então ele lançou o neto de Hitler, seu filho Flávio, como candidato.

Vamos a algumas considerações para ver se estamos novamente diante de uma “escolha difícil”.

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Quem é Flávio Boçal Fascista Bolsonaro?

Flávio começou a vida adulta como funcionário-fantasma na Câmara dos Deputados, em Brasília, enquanto cursava Direito no Rio de Janeiro...

Em 2002, elegeu-se deputado estadual pelo Rio, cumprindo quatro mandatos, durante os quais ignorou temas como saúde e educação; mas elogiou ditadores, defendeu o torturador Brilhante Ustra, e homenageou com a Medalha Tiradentes o miliciano Adriano da Nóbrega, cujas mãe e ex-mulher trabalharam no gabinete do deputado na ALERJ.

Ah, e como ninguém é de ferro, colocou o esquivo assessor Fabrício Queiroz para operar um esquema de “rachadinhas”, pelo qual mordia em média 60% dos salários de seus funcionários (90% em alguns casos). A investigação do caso não foi adiante porque papai Jair, então presidente, disse que não ia deixar ninguém “foder” sua família; até Moro, ministro da Justiça, pediu o boné, incomodado com a interferência de Jair na PF.

Mas não foi apenas por causa das “rachadinhas” que Flávio teve uma evolução patrimonial inexplicável. São conhecidas as suas relações com os piores personagens do submudo fluminense, dos quais Adriano da Nóbrega, assassino de Marielle Franco, é o mais notório.

O dinheiro sujo (que permitiria à família Bolsonaro, de modo geral, comprar 107 imóveis, 51 pagos em dinheiro vivo) tinha que ser lavado de alguma forma. As igrejas evangélicas de picaretas como Malafaia prestam esse serviço; mas Flávio inovou: inventou uma “fantástica loja de chocolates”. Até o G1, do Grupo Globo, que nada tem de “lulista” ou “comunista”, apresentou em 2020 a matéria: “Loja de chocolates de Flávio Bolsonaro recebeu depósitos sucessivos em dinheiro e com mesmo valor entre 2015 e 2018”.

Desde 2018, Flávio é senador. E o que tem feito? Exatamente o que fez como deputado: nada. Quer dizer: continua fazendo seus negócios escusos; e mentindo.

O próprio Estadão, que não morre de amores por Lula ou pelo PT, disse, em editorial a propósito do envolvimento de Flávio com o banqueiro mafioso Vorcaro, do banco Master, que as mentiras do senador não surpreendem: “A mendacidade é a própria natureza do clã Bolsonaro.”

Como sabemos, Flávio havia negado conhecer Vorcaro, embora seu nome constasse da agenda do banqueiro. Mas finalmente uma reportagem do The Intercept Brasil revelou que Flávio Bolsonaro, já em plena crise do Master e pouco antes da prisão de Vorcaro, pediu a ele, chamando-o de “irmão”, R$134 milhões para o filme “Dark Horse”, dos quais R$61 milhões (mais de 70, soube-se depois) teriam sido transferidos; não para a Go Up Enterteinment, produtora de Dark Horse, mas para um fundo no Texas administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro, que está – na prática – foragido nos EUA...

Flávio chega portanto à disputa com amplo telhado de vidro: “rachadinhas”, homenagem ao miliciano Adriano, “fantástica loja de chocolate”, compra subfaturada de mansão na Brasília do sinistro e escorregadio governador Ibaneis Rocha, pedido de dinheiro a Vorcaro, etc.

Além do mais, Flávio sempre se colocou contra o Brasil: saudou as tarifas de 2025 impostas por Trump a nossos produtos, assim como a aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras; Lula lembrou que os “meninos de Bolsonaro” comemoraram a taxação, e que Flávio escreveu: “Obrigado, Presidente Trump. Faça o Brasil livre de novo.”

Flávio declarou também desejar que os estadunidenses, assim como fizeram criminosamente na Venezuela, assassinando pescadores, bombardeassem, na baía de Guanabara, barcos que supostamente traficariam drogas; e na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), realizada no Texas, disse explícita e indecentemente: “O Brasil é a solução para que os Estados Unidos não dependam mais da China em terras-raras e minerais críticos.”

Após EUA anunciarem nova sobretaxa de 25% a produtos brasileiros e afirmarem que PIX os prejudica, o que foi relacionado à visita de Flávio à Casa Branca, o apelido Tariflávio passou a circular.

Tariflávio prometeu aos EUA reduzir tributos dos cartões de crédito, facilitando a vida de bandeitras internacionais como Visa e Mastercard, e ao mesmo tempo enfraquecer o brasileiríssimo Pix.

Tampouco ficou bem na foto o Boçal Fascista Júnior quando foi divulgada a carta em que Marco Rubio – a garra de Trump sobre a América Latina – agradece a "generosa oferta", feita por Flávio, de colocar uma equipe de transição à disposição dos EUA, caso eleito.



E segue o Boçal defendendo organização que tentou golpe em 8 de janeiro de 2023; assim como minimizando a responsabilidade do pai em pelo menos 400 das 700 mil mortes na pandemia de Covid-19.

Flávio Boçal anda em péssimas companhias: como se não bastassem os velhos companheiros da milícia, do crime organizado e da máfia financeira, ele apoia algumas das figuras mais nefastas do mundo, como o imperador/assassino Trump, o imbecil Milei, o genocida Netanyahu.

Os elementos do entorno de Flávio estão envolvidos em ilicitudes: como Vorcaro; como o volúvel Moro, que, entretanto, no passado, escreveu que Jair protegeu Flávio das investigações sobre “rachadinhas”; e também Tarcísio, sujo por questionáveis privatizações, e que concedeu ao meliante Milei a Ordem do Ipiranga.

E mais: a coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, quer implantar o programa econômico de Milei. Para quem não sabe: o corrupto e insano Milei está destruindo a Argentina, levando milhões para a miséria e milhares para o suicídio (recorde de 5.209 suicídios em 2025, taxa acima da média mundial).

Ou seja: Flávio Boçal Fascista Bolsonaro – que, como todos da família, nunca fez na vida nada que preste –, não cuidaria de saúde, educação, desenvolvimento, trabalhador, meio ambiente, transição energética;  destruiria as instituições, indústrias, empregos, salários, florestas, e entregaria nossas riquezas aos EUA, império decadente e ganancioso.

 

E quem é Luís Inácio Lula da Silva?

Lula é aquele típico sertanejo que fugiu da seca no Nordeste: ainda criança, foi com a família para São Paulo, onde trabalharia como metalúrgico e terminaria se notabilizando como líder sindical. Ele conta que não gostava de política; mas, premido pelas circunstâncias, e observando que os trabalhadores não eram representados no Congresso, resolve fundar o PT em 1980; em 1986, é eleito o deputado federal mais votado do país, por SP, e atuaria na Constituinte ao lado de respeitados nomes como Florestan Fernandes.

Desde o primeiro mandato presidencial (2003/06), Lula deixou claro que suas prioridades seriam combater a fome, desenvolver o país, prover ao povo educação e saúde. Seu bordão, que expressa uma lei econômica desprezada pelos manuais neoliberais, é: “Pouco dinheiro na mão de muitos é riqueza de todos; muito dinheiro na mão de poucos é pobreza de todos.”

Foi com base nessa política que em 2014, no governo Dilma, o Brasil saiu pela primeira vez do chamado Mapa da Fome, da ONU; ao qual voltaria no governo do Jair Boçal Fascista, quando as pessoas disputavam ossos e até sobras de comida. Somente em 2025, no terceiro governo Lula, o Brasil saiu do Mapa da Fome pela segunda vez.

E, muito ao contrário do que sustentam alguns especialistas e os “jornalistas de programa” (na expressão de pândego amigo), Lula sempre soube economizar: ao final do seu segundo mandato, em 2010, o país acumulava mais de US$ 350 bilhões em reservas internacionais, que seriam providenciais, aliás, durante o desastroso desgoverno do Boçal Pai.

Carolina Maria de Jesus, em Quarto de Despejo: diário de uma favelada (1960), escreveu: “O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome também é professora. Quem passa fome aprende a pensar no próximo, e nas crianças.”

Esse é um diferencial de Lula: ele passou fome. Costuma contar que só com sete anos comeu um pão pela primeira vez. E que, num dos primeiros encontros com vários líderes estrangeiros, conseguiu controlar uma certa apreensão com o pensamento: “Nenhum deles aqui passou fome...”

Mas Lula não se limita a “políticas assistencialistas” – que, na verdade, ao dar poder de compra a milhões, terminam por dinamizar a economia como um todo. Mesmo o FMI (do qual o Brasil, com Lula, se libertou, e do qual a Argentina é refém) reconhece que o Brasil voltará ao top 10 das economias em 2026, ultrapassando o Canadá; e que, depois de ultrapassar a Rússia em 2027, deverá superar a Itália em 2028, assumindo o 8º lugar.

Isso tudo tendo de enfrentar o Congresso, a mídia, o Banco Central independente e as big techs – todo mundo trabalhando para os milionários e bilionários.

Lula, ao lançar sua candidatura em 2026 no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo, palco de histórica atuação como líder sindical, prometeu desenvolvimento através de educação, emprego e industrialização. Afirmou que nossas terras raras e minerais críticos, essenciais para as novas tecnologias, têm de ser explorados e processados dentro do Brasil, gerando aqui riqueza e empregos. Lembrou que, graças a seu compromisso com a educação, o Brasil passou de 5 milhões de universitários em 2005, a 25 milhões hoje; e que ele e Dilma construíram 606 institutos federais de ensino profissional – que deverão chegar a 800 até o fim de 2026.

É isso o que Lula representa: a educação, o desenvolvimento sustentável e com distribuição de renda. Assim como nenhum pais se desenvolveu realmente sem a mão visível do Estado, ao contrário do que dizem os hipócritas apóstolos do Neoliberalismo, nenhum país se desenvolveu sem investimento sério na educação; nenhum.

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Infelizmente, desde que o mundo é mundo alguns tentam se apropriar da riqueza de muitos; e para isso tentam convencer o explorado de que a situação lhe é conveniente – e que, além do mais, não há alternativa. “There is no alternative” – dizia a megera Margaret Thatcher.



Esse trabalho de convencimento é feito pela religião, pela indústria cultural, e até pela ciência. Para começo de assunto, é preciso boicotar a educação, e entupir a cabeça das pessoas de frivolidades e idéias contrárias a seus interesses. Como disse Lenio Strech, o que era feito artesanalmente, é, agora, na era da Internet e dos algoritmos, feito em escala industrial: o emburrecimento é tsunâmico.



Esses nossos tempos, em que um miliciano psicopata e imbecil (Flávio) pode concorrer com um estadista mundialmente respeitado (Lula) deverão ser conhecidos no futuro como a era áurea não propriamente da agnotologia, que é o estudo da produção intencional da ignorância; mas da agnotolatria, que é a adoração da ignorância.




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