Texto original, de Leonardo Attuch, em https://www.brasil247.com/blog/o-eleitor-brasileiro-esta-a-uma-semana-da-escolha-mais-facil-de-sua-vida/
Texto editado / NMM:
O eleitor brasileiro está a uma semana de uma escolha que permite comparar não apenas dois candidatos, mas duas biografias, duas experiências políticas e duas concepções de Brasil.
De um lado está Lula,
um personagem que atravessou praticamente meio século da história brasileira e com
uma obra concreta que pode ser julgada pelos brasileiros.
Do outro está Flávio
Bolsonaro, cuja principal credencial política deriva de seu sobrenome e do movimento
político criado pelo pai, Jair Bolsonaro. O eleitor conhece suas posições, seus
votos, suas controvérsias e o legado do campo político que representa.
No terceiro mandato de
Lula, o Brasil alcançou os menores índices de desemprego de sua série
histórica, enquanto a economia cresceu acima de diversas previsões
pessimistas feitas no início do governo. O combate à pobreza e à
insegurança alimentar voltou ao centro das políticas públicas, o Brasil saiu
novamente do Mapa da Fome, o BNDES recuperou protagonismo no
financiamento do desenvolvimento e a Petrobras voltou a ocupar posição
central na estratégia brasileira de energia, investimentos e industrialização.
Na política externa, o
Brasil reconstruiu relações com seus vizinhos, aprofundou sua
participação no BRICS, retomou protagonismo nas discussões ambientais
e procurou manter relações simultaneamente construtivas com Estados
Unidos, China, União Europeia, Rússia e o conjunto do Sul Global. Mais
importante ainda, Lula recolocou a soberania nacional no centro do
debate político brasileiro.
Em um cenário marcado
pela volta das guerras comerciais, pela disputa tecnológica e pela crescente
utilização de tarifas, sanções e instrumentos financeiros como mecanismos de
pressão política, o presidente brasileiro passou a defender uma ideia elementar:
o Brasil deve cooperar com todos, mas subordinar-se a ninguém. Lula,
aos 80 anos, demonstra uma compreensão do sistema internacional que resulta não
apenas da experiência política, mas de décadas de convivência com chefes de
Estado, empresários, sindicalistas, intelectuais e movimentos sociais de
praticamente todas as regiões do planeta.
Pode-se discordar de
Lula, mas ele chega ao fim do terceiro mandato no auge de sua maturidade
política e intelectual, depois de ter participado diretamente das grandes
transformações brasileiras das últimas cinco décadas e de ter construído
relações pessoais com algumas das principais lideranças mundiais de diferentes
gerações.
Naturalmente, há
problemas importantes, como o da dívida pública [administrada por um Banco
Central independente do governo, mas dependente do mercado financeiro]; o que
exige uma estratégia capaz de reduzir progressivamente a relação entre dívida e
PIB sem sacrificar investimentos públicos nem destruir políticas sociais. Não é
um desafio desconhecido por Lula e por uma equipe econômica que terá de
enfrentá-lo nos próximos anos.
Esta eleição deveria
ser discutida menos como uma guerra de identidades políticas e mais como uma
comparação de trajetórias.
De um lado, está um
presidente cuja biografia inclui a reconstrução democrática do movimento
sindical, a Constituinte, três mandatos presidenciais, políticas sociais que
transformaram o país e uma projeção internacional que poucos líderes
brasileiros alcançaram.
Do outro, Flávio
Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro e herdeiro político do movimento de
extrema-direita criado por seu pai, marcado por violência, negacionismo e
isolamento internacional do Brasil.
Há ainda outras
candidaturas, mas a disputa está fortemente concentrada nos dois principais
candidatos. A chamada terceira via, pelo menos até aqui, não conseguiu romper
essa polarização.
Não se trata de
escolher entre duas promessas abstratas de futuro: um dos candidatos governou o
Brasil por doze anos e pode ser avaliado por aquilo que efetivamente realizou,
enquanto o outro representa a continuidade de uma experiência política igualmente
conhecida pelos brasileiros. O eleitor dispõe de informações abundantes sobre
ambos, e conhece também o Brasil produzido por cada projeto político.
Talvez a melhor maneira
de encarar o momento na cabine de votação seja comparar biografias, resultados,
projetos de país e a capacidade demonstrada por cada candidato para exercer a
Presidência da República.
Poucas vezes o eleitor
brasileiro encontrou diante de si uma escolha tão simples, que consiste em
conferir ao presidente Lula a oportunidade de seguir trabalhando pelo povo
brasileiro e por uma ordem internacional mais justa.
Um comentário:
excelente!!! resumiu objetivamente e de longe flávio continua uma escrescencia.
Postar um comentário