domingo, 27 de setembro de 2026

Escolha muito fácil

 

Texto original, de Leonardo Attuch, em https://www.brasil247.com/blog/o-eleitor-brasileiro-esta-a-uma-semana-da-escolha-mais-facil-de-sua-vida/

 

Texto editado / NMM:

O eleitor brasileiro está a uma semana de uma escolha que permite comparar não apenas dois candidatos, mas duas biografias, duas experiências políticas e duas concepções de Brasil.

De um lado está Lula, um personagem que atravessou praticamente meio século da história brasileira e com uma obra concreta que pode ser julgada pelos brasileiros.

Do outro está Flávio Bolsonaro, cuja principal credencial política deriva de seu sobrenome e do movimento político criado pelo pai, Jair Bolsonaro. O eleitor conhece suas posições, seus votos, suas controvérsias e o legado do campo político que representa.

No terceiro mandato de Lula, o Brasil alcançou os menores índices de desemprego de sua série histórica, enquanto a economia cresceu acima de diversas previsões pessimistas feitas no início do governo. O combate à pobreza e à insegurança alimentar voltou ao centro das políticas públicas, o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome, o BNDES recuperou protagonismo no financiamento do desenvolvimento e a Petrobras voltou a ocupar posição central na estratégia brasileira de energia, investimentos e industrialização.

Na política externa, o Brasil reconstruiu relações com seus vizinhos, aprofundou sua participação no BRICS, retomou protagonismo nas discussões ambientais e procurou manter relações simultaneamente construtivas com Estados Unidos, China, União Europeia, Rússia e o conjunto do Sul Global. Mais importante ainda, Lula recolocou a soberania nacional no centro do debate político brasileiro.

Em um cenário marcado pela volta das guerras comerciais, pela disputa tecnológica e pela crescente utilização de tarifas, sanções e instrumentos financeiros como mecanismos de pressão política, o presidente brasileiro passou a defender uma ideia elementar: o Brasil deve cooperar com todos, mas subordinar-se a ninguém. Lula, aos 80 anos, demonstra uma compreensão do sistema internacional que resulta não apenas da experiência política, mas de décadas de convivência com chefes de Estado, empresários, sindicalistas, intelectuais e movimentos sociais de praticamente todas as regiões do planeta.

Pode-se discordar de Lula, mas ele chega ao fim do terceiro mandato no auge de sua maturidade política e intelectual, depois de ter participado diretamente das grandes transformações brasileiras das últimas cinco décadas e de ter construído relações pessoais com algumas das principais lideranças mundiais de diferentes gerações.

Naturalmente, há problemas importantes, como o da dívida pública [administrada por um Banco Central independente do governo, mas dependente do mercado financeiro]; o que exige uma estratégia capaz de reduzir progressivamente a relação entre dívida e PIB sem sacrificar investimentos públicos nem destruir políticas sociais. Não é um desafio desconhecido por Lula e por uma equipe econômica que terá de enfrentá-lo nos próximos anos.

Esta eleição deveria ser discutida menos como uma guerra de identidades políticas e mais como uma comparação de trajetórias.

De um lado, está um presidente cuja biografia inclui a reconstrução democrática do movimento sindical, a Constituinte, três mandatos presidenciais, políticas sociais que transformaram o país e uma projeção internacional que poucos líderes brasileiros alcançaram.

Do outro, Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro e herdeiro político do movimento de extrema-direita criado por seu pai, marcado por violência, negacionismo e isolamento internacional do Brasil.

Há ainda outras candidaturas, mas a disputa está fortemente concentrada nos dois principais candidatos. A chamada terceira via, pelo menos até aqui, não conseguiu romper essa polarização.

Não se trata de escolher entre duas promessas abstratas de futuro: um dos candidatos governou o Brasil por doze anos e pode ser avaliado por aquilo que efetivamente realizou, enquanto o outro representa a continuidade de uma experiência política igualmente conhecida pelos brasileiros. O eleitor dispõe de informações abundantes sobre ambos, e conhece também o Brasil produzido por cada projeto político.

Talvez a melhor maneira de encarar o momento na cabine de votação seja comparar biografias, resultados, projetos de país e a capacidade demonstrada por cada candidato para exercer a Presidência da República.

Poucas vezes o eleitor brasileiro encontrou diante de si uma escolha tão simples, que consiste em conferir ao presidente Lula a oportunidade de seguir trabalhando pelo povo brasileiro e por uma ordem internacional mais justa.

Um comentário:

renato disse...

excelente!!! resumiu objetivamente e de longe flávio continua uma escrescencia.