Nelson M. Mendes
Nós fomos doutrinados a odiar
tudo o que possa ser considerado de “esquerda”. Mas a origem do sentido
ideológico do termo é pitoresca: na época da Revolução Francesa, quando a corte
esbanjava riqueza e a imensa maioria do povo estava na miséria, os
parlamentares que se opunham a esse governo injusto se sentavam à esquerda do
presidente da Assembleia Nacional; os que puxavam o saco do governo e não
ligavam para os milhões de famintos se sentavam à direita. Daí se cristalizou a
ideia de “esquerda” como sinônimo de busca de mudanças em prol da justiça
social.
Resumindo: ser de esquerda
significa querer uma sociedade mais justa, feliz; ser de direita significa
querer a manutenção dos privilégios de uma minoria. Aqui no Brasil, no século
19, ser de esquerda significava querer a Abolição da Escravatura; ser de
direita significava dizer que a abolição iria “quebrar o Brasil” (o mesmo que
se diz hoje do fim da escala 6X1). Na Europa, ali pelos séculos 14 e 15, ser de
esquerda era aderir ao Mercantilismo – que era o Capitalismo na infância; ser
de direita era desejar a preservação da exploração feudal. Na pré-história, ser
de esquerda era criar animais e fazer plantações; ser de direita era desejar
continuar caçando, comendo vermes e frutos silvestres...
Enfim – como gosto de dizer –
a História só se move para a esquerda.
Os movimentos podem ser
violentos quando a situação do povo é muito miserável. Foi assim na Revolução
Francesa, foi assim na Revolução Russa, foi assim em vários momentos da
História.
Mas não precisa ser assim. Por
exemplo: o Brasil está na situação invejável de ter um líder capaz de promover
mudanças, melhorar a situação do povo como um todo, sem derramamento de sangue –
assim como fizeram Gandhi e Mandela. Esse líder, obviamente, é Lula.
A alternativa é a mudança para
a direita. Isso é retrocesso, miséria, fome, revolta, morte. É o que está
acontecendo, por exemplo, na Argentina, cujo modelo econômico o Flávio, “irmão” de Vorcaro, gostaria de implantar no
Brasil.

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