terça-feira, 23 de julho de 2013

O PERFIL DO HERÓI

Janer Cristaldo
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TEXTO EDITADO. Original, recolhido em 08 de julho de 2013:




A gloriosa revolução de Junho de 2013 pariu não um rato, mas um presidenciável, o ministro Joaquim Barbosa. Quais os méritos do súbito presidenciável? Em verdade, um só: defendeu enfaticamente a punição dos mensaleiros.

O ministro, que não está filiado a nenhum partido, defendeu o surgimento de candidaturas avulsas:

- Por que não? Por que essa mediação por partidos políticos sem credibilidade? Isso contribui para a robustez da democracia.

Em um momento em que o conceito dos partidos está abaixo do rabo dos cachorros, nada mais oportuno que candidatar-se a partir do nada. Uma democracia sem partidos? Não sei se os árdegos revolucionários notaram, mas é o sonho de todo ditador.

O carisma do ministro é tal que até fatos nada abonadores foram esquecidos pela imprensa. Em 14/05/2003, Veja relatava o espancamento da ex-mulher do herói pelo próprio herói:

 Muitos anos atrás, quando ainda morava em Brasília, ele estava se separando de sua então mulher, Barbosa Gomes descontrolou-se e agrediu fisicamente Marileuza, que chegou a registrar queixa na delegacia mais próxima. (...)

A ministra Ellen Gracie
mostrou-se preocupada. "Vai vir para cá um espancador de mulher?" Para desanuviar o ambiente, o ministro Nelson Jobim saiu-se com uma brincadeira machista, a pretexto de justificar a agressão: "A mulher era dele".

Após seu repentino surgimento como candidato sem partido, alguns fatos mais recentes começam a respingar em sua reputação.

Começou com um vôo, a custas do Erário, para assistir a um jogo de futebol no Rio, no camarote de um tal de Huck, potestade da rede Globo, empresa que acaba de dar um gordo emprego ao filho do juiz.


O STF nega que o ministro tenha voado para ver um jogo de futebol. Se assim é, a Agência Estado cometeu crime de calúnia. A reportagem não é anônima. Irá Joaquim Barbosa representar contra os repórteres e pedir indenização por danos morais? Acho que não.

Não bastasse a affaire do jogo, o ministro acaba de receber R$ 414 mil do Ministério Público Federal por conta de controverso bônus salarial criado nos anos 90 para compensar, em diversas categorias, o auxílio-moradia concedido a deputados e senadores.

Até aí, nada demais. Direito seu. Ocorre que o próprio herói já se posicionou contra a regalia ao analisar o pagamento de auxílio-alimentação a magistrados de oito tribunais, no CNJ. Na ocasião, ele classificou como esdrúxula e inconstitucional a resolução do CNJ que permite este tipo de benefício. Joaquim Barbosa chegou a ironizar, dizendo que "não cabe a cada estado estabelecer auxílio-moradia, auxílio-funeral ou auxílio-paletó".

Como ficamos? Virá o ministro a público para dizer que não disse o que disse? Não será fácil.

De boa fonte jurídica, sou informado que Barbosa não galgou a magistratura por seus méritos. Ele só ingressou na magistratura como ministro.

Antes disso tentou várias vezes a carreira no Itamaraty, mas foi reprovado em sucessivos concursos. Concorreu então a oficial de chancelaria, que é um cargo de funcionário burocrático. Em Paris, atendia os pedidos de visto e outros relativos a passaportes. Depois dessa experiência, entrou para o Ministério Público, sendo da mesma turma do Gilmar Mendes.

Quando foi escolhido ministro, estava como espécie de attaché no consulado do Brasil em Los Angeles. Lula de fato havia optado por um negro, fosse lá quem fosse. O ministro da Justiça, na época, M. T. Bastos, fez uma lista de nomes dos seus amigos, mas eram todos brancos. Lula foi mais teimoso do que ele e, por exclusão dos mais medíocres, ambos chegaram ao desconhecido (por eles) Joaquim Barbosa.

Joca subiu ao Supremo quando pontificava como decano Sepúlveda Pertence. Homem pernóstico mas com grande experiência jurídica e política. Depois dele, tornou-se decano Celso de Mello, mais pernóstico ainda, e sem as qualidades do outro. Joca era peixe fora d’água. Não entendia a complexidade das questões. Tinha visíveis dificuldades jurisdicionais. Seus votos eram voluntaristas. Sofria com a petulância de Marco Aurélio e Gilmar Mendes.

Demorou para reagir, e quando o fez foi aos pataços e socos no ar. Ameaçou bater no Eros Grau. JB não tem obra jurídica conhecida. Dá aulas no Rio, mas nunca se destacou pelo conteúdo delas.


Este é o perfil do herói que a imprensa ignora. Mas o ídolo de pés de barro está desmoronando a olhos vistos. Para a saúde da nação, que está namorando para o cargo de salvador um ministro ressentido, racista e atrabiliário. 

Um comentário:

Unknown disse...

Troca a cor da fonte pra preto...ta horrível de ler.. :)